terça-feira, 5 de março de 2019

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2019

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2019


«A criação encontra-se em expectativa ansiosa,
 aguardando a revelação dos filhos de Deus» (Rm 8, 19).

Queridos irmãos e irmãs!

Todos os anos, por meio da Mãe Igreja, Deus «concede aos seus fiéis a graça de se prepararem, na alegria do coração purificado, para celebrar as festas pascais, a fim de que (…), participando nos mistérios da renovação cristã, alcancem a plenitude da filiação divina» (Prefácio I da Quaresma). Assim, de Páscoa em Páscoa, podemos caminhar para a realização da salvação que já recebemos, graças ao mistério pascal de Cristo: «De fato, foi na esperança que fomos salvos» (Rm 8, 24). Este mistério de salvação, já operante em nós durante a vida terrena, é um processo dinâmico que abrange também a história e toda a criação. São Paulo chega a dizer: «Até a criação se encontra em expectativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus» (Rm 8, 19). Nesta perspectiva, gostaria de oferecer algumas propostas de reflexão, que acompanhem o nosso caminho de conversão na próxima Quaresma.


1. A redenção da criação

A celebração do Tríduo Pascal da paixão, morte e ressurreição de Cristo, ponto culminante do Ano Litúrgico, sempre nos chama a viver um itinerário de preparação, cientes de que tornar-nos semelhantes a Cristo (cf. Rm 8, 29) é um dom inestimável da misericórdia de Deus.

Se o homem vive como filho de Deus, se vive como pessoa redimida, que se deixa guiar pelo Espírito Santo (cf. Rm 8, 14), e sabe reconhecer e praticar a lei de Deus, a começar pela lei gravada no seu coração e na natureza, beneficia também a criação, cooperando para a sua redenção. Por isso, a criação – diz São Paulo – deseja de modo intensíssimo que se manifestem os filhos de Deus, isto é, que a vida daqueles que gozam da graça do mistério pascal de Jesus se cubra plenamente dos seus frutos, destinados a alcançar o seu completo amadurecimento na redenção do próprio corpo humano. Quando a caridade de Cristo transfigura a vida dos santos – espírito, alma e corpo –, estes rendem louvor a Deus e, com a oração, a contemplação e a arte, envolvem nisto também as criaturas, como demonstra admiravelmente o «Cântico do irmão sol», de São Francisco de Assis (cf. Encíclica Laudato si’, 87). Neste mundo, porém, a harmonia gerada pela redenção continua ainda – e sempre estará – ameaçada pela força negativa do pecado e da morte.

2. A força destruidora do pecado

Com efeito, quando não vivemos como filhos de Deus, muitas vezes adotamos comportamentos destruidores do próximo e das outras criaturas – mas também de nós próprios –, considerando, de forma mais ou menos consciente, que podemos usá-los como bem nos apraz. Então sobrepõe-se a intemperança, levando a um estilo de vida que viola os limites que a nossa condição humana e a natureza nos pedem para respeitar, seguindo aqueles desejos incontrolados que, no livro da Sabedoria, se atribuem aos ímpios, ou seja, a quantos não têm Deus como ponto de referência das suas ações, nem uma esperança para o futuro (cf. 2, 1-11). Se não estivermos voltados continuamente para a Páscoa, para o horizonte da Ressurreição, é claro que acaba por se impor a lógica do tudo e imediatamente, do possuir cada vez mais.

Como sabemos, a causa de todo o mal é o pecado, que, desde a sua aparição no meio dos homens, interrompeu a comunhão com Deus, com os outros e com a criação, à qual nos encontramos ligados antes de mais nada através do nosso corpo. Rompendo-se a comunhão com Deus, acabou por falir também a relação harmoniosa dos seres humanos com o meio ambiente, onde estão chamados a viver, a ponto de o jardim se transformar num deserto (cf. Gn 3, 17-18). Trata-se daquele pecado que leva o homem a considerar-se como deus da criação, a sentir-se o seu senhor absoluto e a usá-la, não para o fim querido pelo Criador, mas para interesse próprio em detrimento das criaturas e dos outros.

Quando se abandona a lei de Deus, a lei do amor, acaba por se afirmar a lei do mais forte sobre o mais fraco. O pecado – que habita no coração do homem (cf. Mc 7, 20-23), manifestando-se como avidez, ambição desmedida de bem-estar, desinteresse pelo bem dos outros e muitas vezes também do próprio – leva à exploração da criação (pessoas e meio ambiente), movidos por aquela ganância insaciável que considera todo o desejo um direito e que, mais cedo ou mais tarde, acabará por destruir inclusive quem está dominado por ela.

3. A força sanadora do arrependimento e do perdão

Por isso, a criação tem impelente necessidade que se revelem os filhos de Deus, aqueles que se tornaram «nova criação»: «Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. O que era antigo passou; eis que surgiram coisas novas» (2 Cor 5, 17). Com efeito, com a sua manifestação, a própria criação pode também «fazer páscoa»: abrir-se para o novo céu e a nova terra (cf. Ap 21, 1). E o caminho rumo à Páscoa chama-nos precisamente a restaurar a nossa fisionomia e o nosso coração de cristãos, através do arrependimento, a conversão e o perdão, para podermos viver toda a riqueza da graça do mistério pascal.

Esta «impaciência», esta expectativa da criação ver-se-á satisfeita quando se manifestarem os filhos de Deus, isto é, quando os cristãos e todos os homens entrarem decididamente neste «parto» que é a conversão. Juntamente conosco, toda a criação é chamada a sair «da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus» (Rm 8, 21). A Quaresma é sinal sacramental desta conversão. Ela chama os cristãos a encarnarem, de forma mais intensa e concreta, o mistério pascal na sua vida pessoal, familiar e social, particularmente através do jejum, da oração e da esmola.

Jejuar, isto é, aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas: passar da tentação de «devorar» tudo para satisfazer a nossa voracidade, à capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso coração. Orar, para saber renunciar à idolatria e à autossuficiência do nosso eu, e nos declararmos necessitados do Senhor e da sua misericórdia. Dar esmola, para sair da insensatez de viver e acumular tudo para nós mesmos, com a ilusão de assegurarmos um futuro que não nos pertence. E, assim, reencontrar a alegria do projeto que Deus colocou na criação e no nosso coração: o projeto de amá-Lo a Ele, aos nossos irmãos e ao mundo inteiro, encontrando neste amor a verdadeira felicidade.

Queridos irmãos e irmãs, a «quaresma» do Filho de Deus consistiu em entrar no deserto da criação para fazê-la voltar a ser aquele jardim da comunhão com Deus que era antes do pecado das origens (cf. Mc 1,12-13; Is 51,3). Que a nossa Quaresma seja percorrer o mesmo caminho, para levar a esperança de Cristo também à criação, que «será libertada da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus» (Rm 8, 21). Não deixemos que passe em vão este tempo favorável! Peçamos a Deus que nos ajude a realizar um caminho de verdadeira conversão. Abandonemos o egoísmo, o olhar fixo em nós mesmos, e voltemo-nos para a Páscoa de Jesus; façamo-nos próximos dos irmãos e irmãs em dificuldade, partilhando com eles os nossos bens espirituais e materiais. Assim, acolhendo na nossa vida concreta a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, atrairemos também sobre a criação a sua força transformadora.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

IRMÃS PAULINAS CELEBRAM O 11º CAPÍTULO GERAL




A Congregação das Irmãs Paulinas se prepara para celebrar o 11º Capítulo Geral. A Assembleia Geral, que acontece a cada seis anos, se reúne em setembro de 2019, na casa Divino Mestre, em Aricia, na Itália, e tem como tema: Levanta-te e coloca-te a caminho (Dt 10,11), confiando na promessa.
O evento reúne cerca de 70 irmãs de 52 nações, representantes de todas as circunscrições em que as Irmãs Paulinas estão presentes. A finalidade do Capítulo, conforme as Constituições do Instituto, consiste em avaliar o caminho percorrido nos últimos seis anos, iluminar a realidade atual da Congregação e projetar o caminho dos próximos anos quanto à missão, à espiritualidade, à formação, ao governo e à administração dos bens.
Um importante objetivo da Assembleia é a eleição do novo Governo Geral, formado pela Superiora Geral e seis Conselheiras, que estarão à frente da Congregação nos próximos seis anos (2019-2025).
O clima que as participantes do Capítulo devem viver é de oração, discernimento e comunhão, vivido sob a luz do Espírito Santo, a Palavra do Mestre Jesus Cristo Caminho, Verdade e Vida, e sob a proteção dos Santos Patronos da Congregação: Maria, Rainha dos Apóstolos, e o Apóstolo São Paulo.
Para preparar o Capítulo Geral, celebra-se nas várias nações o Capítulo Provincial, uma Assembleia que reúne Irmãs da Circunscrição, algumas participam em força da função que exercem e outras são eleitas pelas comunidades.
No Brasil, o Capítulo Provincial se realiza de 15 a 30 de janeiro de 2019, em São Paulo, na Casa de Oração das Irmãs Paulinas, Via Raposo Tavares, km 19,145.
Nesta ocasião, as Irmãs vão avaliar o caminho percorrido durante os últimos seis anos pelas Província, apresentar propostas para atualizar as Constituições da Congregação e eleger as delegadas que vão participar do Capítulo Geral. 

A Congregação das Irmãs Paulinas, cujo nome jurídico é Pia Sociedade Filhas de São Paulo, foi fundada em 1915, na cidade de Alba, norte da Itália, pelo Bem-aventurado Tiago Alberione com a colaboração da Venerável Irmã Tecla Merlo. Está no Brasil desde 1931.
No mundo, as Irmãs Paulinas estão presentes em 52 países. São, aproximadamente ,2.300 Irmãs e 235 jovens em formação. Sua missão é viver e comunicar o Evangelho de Jesus Cristo através dos meios de comunicação social.
Com a marca Paulinas publicam livros pela Editora, CDs pela COMEP, revistas (Família Cristã, Diálogo e Super+). Tem livrarias em quase todas as capitais brasileiras, mantêm um Centro de Estudos Bíblicos (SAB) em Belo Horizonte, de Comunicação (SEPAC) na Vila Mariana em São Paulo e um  Centro Social no bairro paulistano Grajau. Promovem cursos presenciais e online de catequese, comunicação e Bbíblia. marcam  presença nas redes sociais e na web rádio; oferecem formação sobre o uso das mídias e animação  sobre Bíblia, catequese, liturgia , comunicação, sacramentos e documentos da Igreja nas paróquias e comunidades eclesiais.


Pe. Alberione fundou outras nove Instituições. Cinco Congregações religiosas: Padres e Irmãos Paulinos, Irmãs Paulinas, Pias Discípulas do Divino Mestre, Irmãs de Jesus Bom Pastor, Irmãs Apostolinas. Quatro Institutos Seculares: Anunciatinas, Gabrielinos, Sagrada Família, Jesus Sacerdote,  e uma Associação de leigos, Copperadores Paulinos, que completam a Família Paulina.


P.S. As Paulinas contam com as orações de todos e todas para o bom êxito do Capítulo. E agradecem.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Mensagem para o Dia Mundial da Paz: 1º de janeiro de 2019 – Papa Francisco


“Oferecer a paz está no coração da missão dos discípulos de Cristo” 
“Se for implementada no respeito fundamental pela vida, a liberdade e a dignidade das pessoas, a política pode tornar-se verdadeiramente uma forma eminente de caridade”, afirma o Papa em uma das passagens de sua mensagem intitulada “A boa política está ao serviço da paz”.

Cidade do Vaticano
“A boa política está ao serviço da paz” é o tema da mensagem do Santo Padre para o 52° Dia Mundial da Paz a ser celebrado em 1° de janeiro de 2019. Eis o texto na íntegra:
A boa política está ao serviço da paz
1.                  «A paz esteja nesta casa!»
Jesus, ao enviar em missão os seus discípulos, disse-lhes: «Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: “A paz esteja nesta casa!” E, se lá houver um homem de paz, sobre ele repousará a vossa paz; se não, voltará para vós» (Lc 10, 5-6).
Oferecer a paz está no coração da missão dos discípulos de Cristo. E esta oferta é feita a todos os homens e mulheres que, no meio dos dramas e violências da história humana, esperam na paz. A «casa», de que fala Jesus, é cada família, cada comunidade, cada país, cada continente, na sua singularidade e história; antes de mais nada, é cada pessoa, sem distinção nem discriminação alguma. E é também a nossa «casa comum»: o planeta onde Deus nos colocou a morar e do qual somos chamados a cuidar com solicitude.
Eis, pois, os meus votos no início do novo ano: «A paz esteja nesta casa!»
2.                  O desafio da boa política
A paz parece-se com a esperança de que fala o poeta Carlos Péguy; é como uma flor frágil, que procura desabrochar por entre as pedras da violência. Como sabemos, a busca do poder a todo o custo leva a abusos e injustiças. A política é um meio fundamental para construir a cidadania e as obras do homem, mas, quando aqueles que a exercem não a vivem como serviço à coletividade humana, pode tornar-se instrumento de opressão, marginalização e até destruição.
«Se alguém quiser ser o primeiro – diz Jesus – há de ser o último de todos e o servo de todos» (Mc 9, 35). Como assinalava o Papa São Paulo VI, «tomar a sério a política, nos seus diversos níveis – local, regional, nacional e mundial – é afirmar o dever do homem, de todos os homens, de reconhecerem a realidade concreta e o valor da liberdade de escolha que lhes é proporcionada, para procurarem realizar juntos o bem da cidade, da nação e da humanidade».
Com efeito, a função e a responsabilidade política constituem um desafio permanente para todos aqueles que recebem o mandato de servir o seu país, proteger as pessoas que habitam nele e trabalhar para criar as condições dum futuro digno e justo. Se for implementada no respeito fundamental pela vida, a liberdade e a dignidade das pessoas, a política pode tornar-se verdadeiramente uma forma eminente de caridade.
3.                  Caridade e virtudes humanas para uma política ao serviço dos direitos humanos e da paz
O Papa Bento XVI recordava que «todo o cristão é chamado a esta caridade, conforme a sua vocação e segundo as possibilidades que tem de incidência na pólis. (…) Quando o empenho pelo bem comum é animado pela caridade, tem uma valência superior à do empenho simplesmente secular e político. (…) A ação do homem sobre a terra, quando é inspirada e sustentada pela caridade, contribui para a edificação daquela cidade universal de Deus que é a meta para onde caminha a história da família humana». Trata-se de um programa no qual se podem reconhecer todos os políticos, de qualquer afiliação cultural ou religiosa, que desejam trabalhar juntos para o bem da família humana, praticando as virtudes humanas que subjazem a uma boa ação política: a justiça, a equidade, o respeito mútuo, a sinceridade, a honestidade, a fidelidade.
A propósito, vale a pena recordar as «bem-aventuranças do político», propostas por uma testemunha fiel do Evangelho, o Cardeal vietnamita Francisco Xavier Nguyen Van Thuan, falecido em 2002:
Bem-aventurado o político que tem uma alta noção e uma profunda consciência do seu papel.
Bem-aventurado o político de cuja pessoa irradia a credibilidade.
Bem-aventurado o político que trabalha para o bem comum e não para os próprios interesses.
Bem-aventurado o político que permanece fielmente coerente.
Bem-aventurado o político que realiza a unidade.
Bem-aventurado o político que está comprometido na realização duma mudança radical.
Bem-aventurado o político que sabe escutar.
Bem-aventurado o político que não tem medo.


Cada renovação nos cargos eletivos, cada período eleitoral, cada etapa da vida pública constitui uma oportunidade para voltar à fonte e às referências que inspiram a justiça e o direito. Duma coisa temos a certeza: a boa política está ao serviço da paz; respeita e promove os direitos humanos fundamentais, que são igualmente deveres recíprocos, para que se teça um vínculo de confiança e gratidão entre as gerações do presente e as futuras.
4.                  Os vícios da política
A par das virtudes, não faltam infelizmente os vícios, mesmo na política, devidos quer à inépcia pessoal quer às distorções no meio ambiente e nas instituições. Para todos, está claro que os vícios da vida política tiram credibilidade aos sistemas dentro dos quais ela se realiza, bem como à autoridade, às decisões e à ação das pessoas que se lhe dedicam. Estes vícios, que enfraquecem o ideal duma vida democrática autêntica, são a vergonha da vida pública e colocam em perigo a paz social: a corrupção – nas suas múltiplas formas de apropriação indevida dos bens públicos ou de instrumentalização das pessoas –, a negação do direito, a falta de respeito pelas regras comunitárias, o enriquecimento ilegal, a justificação do poder pela força ou com o pretexto arbitrário da «razão de Estado», a tendência a perpetuar-se no poder, a xenofobia e o racismo, a recusa a cuidar da Terra, a exploração ilimitada dos recursos naturais em razão do lucro imediato, o desprezo daqueles que foram forçados ao exílio.
5.                  A boa política promove a participação dos jovens e a confiança no outro
Quando o exercício do poder político visa apenas salvaguardar os interesses de certos indivíduos privilegiados, o futuro fica comprometido e os jovens podem ser tentados pela desconfiança, por se verem condenados a permanecer à margem da sociedade, sem possibilidades de participar num projeto para o futuro. Pelo contrário, quando a política se traduz, concretamente, no encorajamento dos talentos juvenis e das vocações que requerem a sua realização, a paz propaga-se nas consciências e nos rostos. Torna-se uma confiança dinâmica, que significa «fio-me de ti e creio contigo» na possibilidade de trabalharmos juntos pelo bem comum. Por isso, a política é a favor da paz, se se expressa no reconhecimento dos carismas e capacidades de cada pessoa. «Que há de mais belo que uma mão estendida? Esta foi querida por Deus para dar e receber. Deus não a quis para matar (cf. Gn 4, 1-16) ou fazer sofrer, mas para cuidar e ajudar a viver. Juntamente com o coração e a inteligência, pode, também a mão, tornar-se um instrumento de diálogo».
Cada um pode contribuir com a própria pedra para a construção da casa comum. A vida política autêntica, que se funda no direito e num diálogo leal entre os sujeitos, renova-se com a convicção de que cada mulher, cada homem e cada geração encerram em si uma promessa que pode irradiar novas energias relacionais, intelectuais, culturais e espirituais. Uma tal confiança nunca é fácil de viver, porque as relações humanas são complexas. Nestes tempos, em particular, vivemos num clima de desconfiança que está enraizada no medo do outro ou do forasteiro, na ansiedade pela perda das próprias vantagens, e manifesta-se também, infelizmente, a nível político mediante atitudes de fechamento ou nacionalismos que colocam em questão aquela fraternidade de que o nosso mundo globalizado tanto precisa. Hoje, mais do que nunca, as nossas sociedades necessitam de «artesãos da paz» que possam ser autênticos mensageiros e testemunhas de Deus Pai, que quer o bem e a felicidade da família humana.
6.                  Não à guerra nem à estratégia do medo
Cem anos depois do fim da I Guerra Mundial, ao recordarmos os jovens mortos durante aqueles combates e as populações civis dilaceradas, experimentamos – hoje, ainda mais que ontem – a terrível lição das guerras fratricidas, isto é, que a paz não pode jamais reduzir-se ao mero equilíbrio das forças e do medo. Manter o outro sob ameaça significa reduzi-lo ao estado de objeto e negar a sua dignidade. Por esta razão, reiteramos que a escalada em termos de intimidação, bem como a proliferação descontrolada das armas são contrárias à moral e à busca duma verdadeira concórdia. O terror exercido sobre as pessoas mais vulneráveis contribui para o exílio de populações inteiras à procura duma terra de paz. Não são sustentáveis os discursos políticos que tendem a acusar os migrantes de todos os males e a privar os pobres da esperança. Ao contrário, deve-se reafirmar que a paz se baseia no respeito por toda a pessoa, independentemente da sua história, no respeito pelo direito e o bem comum, pela história, no respeito pelo direito e o bem comum, pela criação que nos foi confiada e pela riqueza moral transmitida pelas gerações passadas.
O nosso pensamento detém-se, ainda e de modo particular, nas crianças que vivem nas zonas atuais de conflito e em todos aqueles que se esforçam por que a sua vida e os seus direitos sejam protegidos. No mundo, uma em cada seis crianças sofre com a violência da guerra ou pelas suas consequências, quando não é requisitada para se tornar, ela própria, soldado ou refém dos grupos armados. O testemunho daqueles que trabalham para defender a dignidade e o respeito das crianças é extremamente precioso para o futuro da humanidade.
1.                  Um grande projeto de paz
Celebra-se, nestes dias, o septuagésimo aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada após a II Guerra Mundial. A este respeito, recordemos a observação do Papa São João XXIII: «Quando numa pessoa surge a consciência dos próprios direitos, nela nascerá forçosamente a consciência do dever: no titular de direitos, o dever de reclamar esses direitos, como expressão da sua dignidade; nos demais, o dever de reconhecer e respeitar tais direitos».
Com efeito, a paz é fruto dum grande projeto político, que se baseia na responsabilidade mútua e na interdependência dos seres humanos. Mas é também um desafio que requer ser abraçado dia após dia. A paz é uma conversão do coração e da alma, sendo fácil reconhecer três dimensões indissociáveis desta paz interior e comunitária:
–          a paz consigo mesmo, rejeitando a intransigência, a ira e a impaciência e – como aconselhava São Francisco de Sales – cultivando «um pouco de doçura para consigo mesmo», a fim de oferecer «um pouco de doçura aos outros»;
–          a paz com o outro: o familiar, o amigo, o estrangeiro, o pobre, o atribulado…, tendo a ousadia do encontro, para ouvir a mensagem que traz consigo;
–          a paz com a criação, descobrindo a grandeza do dom de Deus e a parte de responsabilidade que compete a cada um de nós, como habitante deste mundo, cidadão e ator do futuro.
A política da paz, que conhece bem as fragilidades humanas e delas se ocupa, pode sempre inspirar-se ao espírito do Magnificat que Maria, Mãe de Cristo Salvador e Rainha da Paz, canta em nome de todos os homens: A «misericórdia [do Todo-Poderoso] estende-se de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes (…), lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência, para sempre» (Lc 1, 50-55).

Vaticano, 8 de dezembro de 2018.
FRANCISCUS


domingo, 26 de agosto de 2018

Parabéns, catequista!



Hoje é o dia do Catequista.
Nós, da Casa de Oração, homenageamos a todos os catequistas do Brasil.

SER CATEQUISTA Ser catequista é muito mais que ser um prestador de serviço na comunidade, é ser ministro da evangelização, pois a Catequese é um ministério. Isso não significa status dentro da comunidade, significa um compromisso de fidelidade a Jesus, ao seu Evangelho e à Igreja, compromisso que deve ser assumido na vida cotidiana, vivido com amor e disponibilidade e testemunhado com fé e perseverança. Ser catequista é ser espelho do Evangelho na comunidade e no mundo. O SIM de todo catequista tem três dimensões: 

1. A DIMENSÃO PESSOAL – é um chamado de Deus para uma pessoa e exige uma resposta pessoal e intransferível de quem quer se comprometer com essa missão, ciente das exigências e dificuldades que esse chamado acarreta. 

2. A DIMENSÃO ECLESIAL – é um chamado da Igreja, que necessita de operários para a sua messe. Catequista por excelência são os Bispos, pastores do rebanho do Senhor, auxiliados pelos Presbíteros, zeladores das paróquias e comunidades. Mas a messe é grande e os operários são poucos, por isso a Igreja necessita que leigos assumam a vocação de catequista para auxiliar na missão de catequizar.

3. A DIMENSÃO COMUNITÁRIA – é também um chamado da comunidade, que escolhe as pessoas que serão porta-vozes da fé e da doutrina da Igreja, anunciando com fidelidade o Evangelho e educando na vivência cristã. Ser catequista é ser um enviado de Deus, da Igreja e da comunidade; uma tríplice responsabilidade de quem responde a esse chamado com seu SIM!

9º Encontro Mundial das Famílias



Aconteceu, nesta semana, em Dublin, Irlanda, o 9º Encontro Mundial das Famílias.

No decorrer dessa semana tivemos as catequeses no período da manhã, e no sábado a festa, o momento especial em que o Papa se encontrou com as famílias e conversou com algumas delas que vieram da: Irlanda, Canadá, India, Iraque e Africa. O material dos encontros está disponível on-line  no Vatican News (www.news.va) e no site oficial do Evento: (www.worldmeeting2018.ie).
Para as catequeses os organizadores separaram por temas de acordo com os capítulos da Exortação Apostólica Amoris Laetitia:

-      A família e a fé que é dedicada a reflexão dos capítulos 01 ao 03 de Amoris Laetitia
-      A família e o amor, que refletirá os capítulos 04, 05 e 06;
-      As famílias e a esperança, que retomará os temas dos capítulos 07 até o 09 da exortação.

No sábado, 25,  dia do encontro com o Papa, foi um momento de festa. O Papa encontrou e conversou respondendo as perguntas de cinco famílias de diferentes países, se fez o momento de oração especial e um momento de musica com apresentação de artistas provenientes de todos os continentes. No domingo, houve a missa de encerramento com o Papa Francisco.

Que você possa se reunir com a sua família ai e refletir um pouco sobre o encontro, rezar e participar. Reze a
Oração oficial da família para o encontro mundial das Famílias, 2018

Deus, nosso Pai,
Somos irmãos e irmãs em Jesus, teu Filho,
Uma família, no Espírito do teu amor.
Abençoa-nos com a alegria do amor.
Faz-nos pacientes e compassivos Amáveis e generosos,
Acolhendo os que mais precisam.
Ajuda-nos a viver o teu perdão e a tua paz.
Protege todas as famílias com o cuidado do teu amor
Especialmente aqueles por quem rezamos agora: 

[Fazemos uma pausa para lembrar, pelo nome, membros da família e outras pessoas]

Aumenta a nossa fé,
Fortalece a nossa esperança,
Protege-nos com o teu amor,
Faz-nos sempre agradecidos pelo dom da vida que partilhamos.
Isto te pedimos, por Cristo nosso Senhor Amém.