sexta-feira, 27 de junho de 2014

Celebração de Jubileus. Parabéns, jubilandas!

"Aquele que começou em vocês a boa obra a completará até o dia de Jesus Cristo". (Fl 1,6)

Paulinas celebram, com alegria, no dia 29 de junho,
os 25 anos de consagração a Deus como Filha de São Paulo, 

Irmã Amélia Bezerra Monteiro


e o Jubileu de Ouro (50 anos) de
Ir. Ires Pontin
Ir. Loise Migliorini
Ir. Maria Ema Tomasi
Ir. Odila Corazza
Ir. Vera Lúcia Parisotto
Ir. Vera Maria Bombonatto
Ir. Zélia Bona

Graça e Paz!

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Carta da Superiora Geral das FSP

Roma, 30 de junho de 2014
Solenidade de São Paulo apóstolo



A todas as irmãs

Caríssimas irmãs,
no ano centenário da Família Paulina, a celebração da solenidade de são Paulo assume um significado particular, porque recorda as nossas verdadeiras origens: 
«Quando se tratava de iniciar a instituição, havia quem sugeria como protetor um santo e quem sugeria outro, mas quando se disse: são Paulo será nosso protetor, houve uma exclamação unânime de alegria. Os horizontes se alargaram e todos ficaram felizes. E daquele dia em diante, o nome de são Paulo se propagou por meio de vocês nas várias regiões. Vocês levaram são Paulo a tantos lugares, fizeram uma grande procissão “sui generis” e o pedestal sobre o qual se ergue são Paulo é o coração de vocês» (Pe.  Alberione às Filhas de São Paulo, 30 de junho de 1961).
São expressões fortes: se as acolhemos com admiração, podem fazer brotar o desejo de crescer no conhecimento do nosso Pai, para deixar-nos circundar daquela graça que o investiu, fascinou, incendiou e que ele descreveu com palavras vibrantes. 
«O amor de Cristo, o amor daquele que morreu por todos, nos domina, nos impulsiona, nos possui…» (cf. 2Cor 5,14). O amor é aquela força interior misteriosa que o impulsiona a evangelizar; uma força a que ele não pode e não quer subtrair-se:  «Anunciar o Evangelho não é para mim motivo de orgulho, porque é uma necessidade que se me impõe: ai de mim, se eu não evangelizar!» (1Cor 9,16). 
A paixão por Cristo o absorve e o envolve. E quando fala de Cristo, ou pensa nele, seu coração se acende, sua mente se ilumina e a caneta canta em suas mãos.  
Pe.  Alberione, já no ano de 1935, interrogava as Filhas de São Paulo: 
«O nosso amor a Jesus é tão forte a ponto de fazermos aquilo que ele quer, nos fazer dizer aquilo que lhe agrada, nos fazer  desejá-lo, e somente a ele? São Paulo chegou exatamente a este alto grau, e por isso dizia com sinceridade: “O amor de Cristo nos impulsiona”. A caridade de Cristo nos impele! O amor de Cristo nos impulsiona na propaganda, na igreja, no estudo, no apostolado... Nós somos conduzidos por Deus e,  “nele vivemos, nos movemos e somos!”».
Neste tempo tão pleno de acontecimentos, podemos crescer na consciência de que a nossa vida, como a de Paulo, se desenvolve dentro de uma torrente de graça. Também nós somos pobres vasos de argila que carregam o tesouro do Evangelho. Também nós, “impulsionadas” por um grande amor, somos “atraídas” pela força misteriosa do Espírito que nos guia e nos envia a testemunhar e a comunicar a todos a Palavra da salvação. As fadigas, a fragilidade, a debilidade que muitas vezes experimentamos, evidenciam, com maior clareza, a preciosidade do dom: tudo é obra daquele Deus que escolhe, preferivelmente, os instrumentos mais frágeis para realizarem grandes coisas. 
São Paulo nos conceda a graça de sermos pessoas enamoradas, nos imerja na sua experiência espiritual, nos ajude a redescobrir a raiz da nossa identidade mais profunda.  
No clima de louvor, confiemos a ele as 15 noviças que, em Nairóbi, Kinshasa,  Antananarivo, Lipa, São Paulo e Buenos Aires emitirão os primeiros votos, e as quatro junioristas que, no Brasil, se preparam para celebrar, nos próximos meses, a profissão perpétua. Enviamos a estas jovens os augúrios mais cordiais e as acompanhamos com a oração para que cresçam na vocação com criatividade, entusiasmo e alegria.  
Os mais ardorosos augúrios às irmãs que, na solenidade de são Paulo, celebram 25 e 50 anos ou outros aniversários de profissão. Que suas vidas continuem a ser uma irradiação de luz, um testemunho do Amor fiel de Deus, um perfume que se eleva continuamente ao Pai pela salvação de muitos. 
Um abraço afetuoso a todas.

Ir. Anna Maria Parenzan - Superiora geral

sábado, 7 de junho de 2014

O que acontece no Pentecostes?



Celebramos a solenidade de Pentecostes
Cinquenta dias após a Ressurreição,depois das sete semanas pascais,  no Pentecostes, Jesus Cristo glorificado infunde o Espírito Santo em abundância.
Neste dia é revelada plenamente a Santíssima Trindade.
A partir deste dia, o Reino anunciado por Cristo está aberto aos que crêem nele.
«Vimos a verdadeira Luz, recebemos o Espírito celeste, encontrámos a verdadeira fé: adoramos a Trindade indivisível porque nos salvou»  (Cf CIC 731-732).
O barulho, descrito no Evangelho, enche toda a casa do mesmo modo que o Espírito Santo enche todos os que nela estão. Depois deu-se  um elemento visual: “como que línguas de fogo” . Essas línguas de fogo simbolizam o poder de Deus que faz falar. O Espírito Santo é o poder de Deus que faz  maravilhas, sobretudo,  por meio do seu Filho Jesus Cristo.
O dom do Espírito impulsiona a Igreja a assumir cada cultura, a língua de cada povo, para poder fazer chegar a cada pessoa a graça do amor de Deus.
         



domingo, 1 de junho de 2014

Papa Francisco encontrou-se com a Renovação Carismática, em Roma



 Uma multidão em festa acolheu na tarde deste domingo, 1º de junho,  o Papa Francisco no Estádio Olímpico de Roma, para celebrar os 37 anos da Renovação Carismática italiana. 

 Saudações
O Presidente do Movimento, Salvatore Martinez, deu as boas-vindas ao Pontífice, afirmando que o Olímpico hoje não é palco de um jogo de futebol, com os times da Roma, da Lácio e do São Lourenço (time argentino). Mas há sempre uma equipe, a dos discípulos de Jesus, cujo técnico é o Espírito Santo e o capitão é o Papa Francisco. A estratégia de jogo é maravilhosa. Colocando em campo a fé, a vitória de Jesus está garantida.

 Sacerdotes
Tomaram a palavra representantes dos sacerdotes, dos jovens, da família e dos enfermos, que deixaram seu testemunho, intercalados por palavras do Santo Padre, que porém fez notar aos organizadores que faltava um representante dos avós.
“Aos sacerdotes, me vem uma única palavra: proximidade. Proximidade a Jesus Cristo, na oração e na oração. Próximos ao Senhor. E proximidade às pessoas, ao povo de Deus que lhe é confiado. Amem sua gente”, disse Francisco.

 Jovens
Aos jovens, suas palavras foram: “Seria triste um jovem que protege sua juventude num cofre. Assim, esta juventude se torna velha, no pior sentido da palavra. Torna-se pano velho. Não serve para nada. A juventude serve para arriscar: arriscar bem, com esperança. Apostá-la em coisas grandes. Deve ser doada para que outros conheçam o Senhor. Não a poupem para vocês, avante!"

Famílias
Para as famílias presentes, o Pontífice recordou que são a Igreja doméstica, onde Jesus cresce, cresce no amor dos cônjuges, na vida dos filhos. Por isso o inimigo a ataca tanto: o demônio não a quer! E tenta destruí-la. “O Senhor abençoe a família e a fortifique nesta crise na qual o diabo quer destruí-la.”

Há um único chefe: Jesus
Em seu pronunciamento, Francisco definiu a renovação carismática “uma corrente de graça na Igreja e para a Igreja”. Como em uma orquestra, nenhum movimento pode pensar em ser mais importante ou maior que o outro. “Quando isso acontece, a peste tem início. Ninguém pode dizer: eu sou o chefe. Como toda a Igreja, há um só chefe, um único Senhor: Jesus.”

Perigo
Como na entrevista que concedeu voltando do Brasil, Francisco repetiu que não amava muitos os “carismáticos”, mas depois se tornou o assistente espiritual da Renovação Carismática, nomeado pela Conferência Episcopal Argentina. Trata-se de uma força, afirmou o Papa, pedindo que renovem o amor pela palavra, carregando no bolso o Evangelho.
E advertiu: “Cuidado para não perder a liberdade que o Espírito Santo nos doou. O perigo para a Renovação é a da excessiva organização. Sim, ela é necessária. Mas não percam a graça de deixar Deus ser Deus. Não há graça maior que deixar-se guiar pelo Espírito Santo”.
Outro perigo
O Papa identificou ainda outro perigo, que é de se tornar controlador da graça de Deus. “Muitas vezes, os responsáveis (gosto mais da palavra servidores) por alguma comunidade se tornam, sem querer, administradores da graça, decidindo quem pode recebê-la. Vocês são dispensadores, não controladores. Não sejam a alfândega do Espírito Santo”. 

O que espera da Renovação
Por fim, Francisco disse o que espera da Renovação.  Em primeiro lugar, a conversão ao amor de Jesus. “Espero de vocês uma evangelização com a Palavra de Deus que anuncia que Jesus está vivo e ama todos os homens.”  Em segundo lugar, dar testemunho de ecumenismo espiritual, de permanecer unidos no amor que Jesus pede a todos os homens. A seguir, a aproximação aos pobres e aos necessitados, para tocar em sua carne a carne ferida de Jesus. “Aproximem-se, por favor.”

Apelo
O Pontífice concluiu com um apelo: “Busquem a unidade da Renovação, porque a unidade vem do Espírito Santo. A divisão vem do demônio. Fujam das lutas internas, por favor.”   (www.news.va)



sexta-feira, 30 de maio de 2014

Novena de Pentecostes

Canto de abertura
A nós descei, divina luz (bis)
Em nossas almas acendei o amor, o amor de Jesus.

Oração inicial
Vem, Espírito Santo, envia do alto do céu um raio da tua luz.
Vem, pai dos pobres, doador da divina graça, e luz dos corações.
És consolo e defensor, amável hóspede dos corações,
e alívio incomparável.
És descanso no trabalho, a brisa no calor ardente e consolo na aflição.
Ó ditosa luz divina, ilumina plenamente o coração dos teus fiéis.
Sem ti não pode haver jamais em homem algum, inocência nem bondade.
Vem livrar-nos do pecado, abrandar a nossa aridez e curar as nossas feridas.
Concede-nos que possamos superar a nossa obstinação,
vencer a nossa apatia, e nos guardar no bom caminho.
Aqueles que creem em ti e em ti confiam, concede os teus sete dons sagrados.
Como prêmio da virtude, dá-lhes a felicidade e a alegria eterna. Amém.

A Palavra de Deus
Quando chegou o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído como o agitar-se de um vendaval impetuoso, que encheu toda a casa onde se achavam. Apareceram-lhes, então, línguas comode fogo, que se repartiam e que pousaram sobre cada um deles. E todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem.
(At 2,1-4)


Invocação para cada dia
1º dia
Vinde Espírito Santo / e dai-nos o Dom da Sabedoria  /para que possamos avaliar todas as coisas à luz do Evangelho / e ler nos acontecimentos da vida os projetos de amor do Pai.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre.  Amém.

2º dia
Vinde Espírito Santo / Dai-nos o Entendimento / uma compreensão mais profunda da verdade / a fim de anunciar a salvação com maior firmeza e convicção.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre.  Amém.

3º dia
Vinde Espírito Santo / Dai-nos o Dom do Conselho / que ilumina a nossa vida / e orientai a nossa ação segundo vossa Divina Providência.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre.  Amém.

4º dia
Vinde Espírito Santo /  Dai-nos o Dom da Fortaleza / e sustentai-nos no meio de tantas dificuldades / com vossa coragem para que possamos anunciar o Evangelho. /
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre.  Amém.

5º dia
Vinde Espírito Santo /   Dai-nos  o Dom da Ciência / para distinguir o Único necessário /  das coisas meramente importantes. /
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre.  Amém.

6º dia
Vinde Espírito Santo / dai-nos Piedade / para reanimar sempre mais nossa íntima comunhão convosco.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre.  Amém.

7º dia
Vinde Espírito Santo / e dai-nos vosso santo Temor / para que, conscientes de nossas fragilidades, / reconhecermos a força da vossa graça.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre.  Amém.

8º dia
Vinde Espírito Santo / e dai-nos um novo coração. Amém. 
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre.  Amém.

9º dia
Vinde, Espírito Santo, santificai também o nosso espírito,/ renovando todo o nosso ser, /
mente, vontade, coração. Capacitai-nos a viver e comunicar a  Palavra, /Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre.  Amém.

Ave Maria, Pai Nosso, Glória ao Pai...

Bênção
O Senhor esteja ao nosso lado para nos defender,
dentro de nós para nos proteger,
diante de nós para nos conduzir e
acima de nós para nos abençoar.
Que esta proteção maravilhosa de Deus,
nos liberte e nos defenda de todo o mal e nos dê alegria.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Canto final
Vem,vem,vem, vem Espírito Santo de amor,
vem a nós, traz à igreja um novo vigor (bis)

Ir. Patrícia Silva, fsp

Domingo da Ascensão e da comunicação

Domingo, dia 1º de junho, domingo da Ascensão, celebra-se o 48º Dia Mundial das Comunicações.
Neste ano o tema é:
  "Comunicação a serviço de uma autêntica cultura do encontro"
E, esta é a mensagem do papa Francisco para o dia que poderá ser lida e conversar sobre ela com os a comunidade, rezando pela comunicação.

Queridos irmãos e irmãs,
Hoje vivemos num mundo que se torna cada vez menor, parecendo, por isso mesmo, que deveria ser mais fácil fazer-se próximo uns dos outros. Os progressos dos transportes e das tecnologias de comunicação deixam-nos mais próximos, interligando-nos sempre mais, e a globalização faz-nos mais interdependentes. Todavia, dentro da humanidade, permanecem divisões, e às vezes muito acentuadas.

Em nível global, vemos a distância escandalosa que existe entre o luxo dos mais ricos e a miséria dos mais pobres. Frequentemente, basta passar pelas ruas duma cidade para ver o contraste entre os que vivem nas calçadas e as luzes brilhantes das lojas. Estamos já tão habituados a tudo isso que nem nos impressiona. O mundo sofre de múltiplas formas de exclusão, marginalização e pobreza, como também de conflitos para os quais convergem causas econômicas, políticas, ideológicas e até mesmo, infelizmente, religiosas.

Neste mundo, os meios de massa podem ajudar a sentir-nos mais próximo uns dos outros; a fazer-nos perceber um renovado sentido de unidade da família humana, que impele à solidariedade e a um compromisso sério para uma vida mais digna. Uma boa comunicação ajuda-nos a estar mais perto e a conhecer-nos melhor entre nós, a ser mais unidos. Os muros que nos dividem só podem ser superados, se estivermos prontos a ouvir e a aprender uns dos outros. Precisamos  harmonizar as diferenças por meio de formas de diálogo, que nos permitam crescer na compreensão e no respeito. A cultura do encontro requer que estejamos dispostos não só a dar, mas também a receber de outros. Os meios de comunicação podem ajudar-nos nisso, especialmente nos nossos dias em que as redes da comunicação humana atingiram progressos sem precedentes. Particularmente a internet pode oferecer maiores possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos; e isto é uma coisa boa, é um dom de Deus.
No entanto, existem aspectos problemáticos: a velocidade da informação supera a nossa capacidade de reflexão e discernimento, e não permite uma expressão equilibrada e correta de si mesmo. A variedade das opiniões expressas pode ser sentida como riqueza, mas é possível também fechar-se numa esfera de informações que correspondem apenas às nossas expectativas e às nossas ideias, ou mesmo a determinados interesses políticos e econômicos. O ambiente de comunicação pode ajudar-nos a crescer ou, pelo contrário, desorientar-nos. O desejo de conexão digital pode acabar por nos isolar do nosso próximo, de quem está mais perto de nós. Sem esquecer que a pessoa que, pelas mais diversas razões, não tem acesso aos meios de comunicação social, corre o risco de ser excluído.

Estes limites são reais, mas não justificam uma rejeição dos meios de comunicação; antes, recordam-nos que, em última análise, a comunicação é uma conquista mais humana que tecnológica. Portanto haverá alguma coisa, no ambiente digital, que nos ajuda a crescer em humanidade e na compreensão recíproca? Devemos, por exemplo, recuperar um certo sentido de pausa e calma. Isto requer tempo e capacidade de  fazer silêncio para escutar. Temos necessidade também de ser pacientes, se quisermos compreender aqueles que são diferentes de nós: uma pessoa expressa-se plenamente a si mesma, não quando é simplesmente tolerada, mas quando sabe que é verdadeiramente acolhida. Se estamos verdadeiramente desejosos de escutar os outros, então aprenderemos a ver o mundo com olhos diferentes e a apreciar a experiência humana tal como se manifesta nas várias culturas e tradições. Entretanto saberemos apreciar melhor também os grandes valores inspirados pelo Cristianismo, como, por exemplo, a visão do ser humano como pessoa, o matrimônio e a família, a distinção entre esfera religiosa e esfera política, os princípios de solidariedade e subsidiariedade, entre outros.

Então, como pode a comunicação estar ao serviço de uma autêntica cultura do encontro? E – para nós, discípulos do Senhor – que significa, segundo o Evangelho, encontrar uma pessoa? Como é possível, apesar de todas as nossas limitações e pecados, ser verdadeiramente próximo aos outros? Estas perguntas resumem-se naquela que, um dia, um escriba – isto é, um comunicador – pôs a Jesus: «E quem é o meu próximo?» (Lc 10, 29 ). Esta pergunta ajuda-nos a compreender a comunicação em termos de proximidade. Poderíamos traduzi-la assim: Como se manifesta a «proximidade» no uso dos meios de
comunicação e no novo ambiente criado pelas tecnologias digitais? Encontro resposta na parábola do bom samaritano, que é também uma parábola do comunicador. Na realidade, quem comunica faz-se próximo. E o bom samaritano não só se faz próximo, mas cuida do homem que encontra quase morto ao lado da estrada. Jesus inverte a perspectiva: não se trata de reconhecer o outro como um meu semelhante, mas da minha capacidade para me fazer semelhante ao outro. Por isso, comunicar significa tomar consciência de que somos humanos, filhos de Deus. Apraz-me definir este poder da comunicação como «proximidade».


Quando a comunicação tem como fim predominante induzir ao consumo ou à manipulação das pessoas, encontramo-nos perante uma agressão violenta como a que sofreu o homem espancado pelos assaltantes e abandonado na estrada, como lemos na parábola. Naquele homem, o levita e o sacerdote não veem um seu próximo, mas um estranho de quem era melhor manter a distância. Naquele tempo, eram condicionados pelas regras da pureza ritual. Hoje, corremos o risco de que alguns mass-media nos condicionem até ao ponto de fazer-nos ignorar o nosso próximo real.

Não basta circular pelas «estradas» digitais, isto é, simplesmente estar conectados: é necessário que a conexão seja acompanhada pelo encontro verdadeiro. Não podemos viver sozinhos, fechados em nós mesmos. Precisamos de amar e ser amados. Precisamos de ternura. Não são as estratégias comunicativas que garantem a beleza, a bondade e a verdade da comunicação. O próprio mundo dos meios de comunicação não pode alienar-se da solicitude pela humanidade, chamado como é a exprimir ternura. A rede digital pode ser um lugar rico de humanidade: não uma rede de fios, mas de pessoas humanas. A neutralidade dos mass-media é só aparente: só pode constituir um ponto de referência quem comunica colocando-se a si mesmo em jogo. O envolvimento pessoal é a própria raiz da confiabilidade dum comunicador. É por isso mesmo que o testemunho cristão pode, graças à rede, alcançar as periferias existenciais.

Tenho-o repetido já diversas vezes: entre uma Igreja acidentada que sai pela estrada e uma Igreja doente de auto-referencialidade, não hesito em preferir a primeira. E quando falo de estrada penso nas estradas do mundo onde as pessoas vivem: é lá que as podemos, efetiva e afetivamente, alcançar.
Entre estas estradas estão também as digitais, congestionadas de humanidade, muitas vezes ferida: homens e mulheres que procuram uma salvação ou uma esperança. Também graças à rede, pode a mensagem cristã viajar «até aos confins do mundo» (At 1, 8).

Abrir as portas das igrejas significa também abri-las no ambiente digital, seja para que as pessoas entrem, independentemente da condição de vida em que se encontrem, seja para que o Evangelho possa cruzar o limiar do templo e sair ao encontro de todos. Somos chamados a testemunhar uma Igreja que seja casa de todos. Seremos nós capazes de comunicar o rosto duma Igreja assim? A comunicação concorre para dar forma à vocação missionária de toda a Igreja, e as redes sociais são, hoje, um dos lugares onde viver esta vocação de redescobrir a beleza da fé, a beleza do encontro com Cristo. Inclusive no contexto da comunicação, é precisa uma Igreja que consiga levar calor, inflamar o coração.

O testemunho cristão não se faz com o bombardeio de mensagens religiosas, mas com a vontade de se doar aos outros "através da disponibilidade para se deixar envolver, pacientemente e com respeito, nas suas questões e nas suas dúvidas, no caminho de busca da verdade e do sentido da existência humana" (Bento XVI, Mensagem para o XLVII Dia Mundial das Comunicações Sociais, 2013). Pensemos no episódio dos discípulos de Emaús. É preciso saber-se inserir no diálogo com os homens e mulheres de hoje, para compreender os seus anseios, dúvidas, esperanças, e oferecer-lhes o Evangelho, isto é, Jesus Cristo, Deus feito homem, que morreu e ressuscitou para nos libertar do pecado e da morte. O desafio requer profundidade, atenção à vida, sensibilidade espiritual. Dialogar significa estar convencido de que o outro tem algo de bom para dizer, dar espaço ao seu ponto de vista, às suas propostas. Dialogar não significa renunciar às próprias ideias e tradições, mas à pretensão de que sejam únicas e absolutas.

Possa servir-nos de guia o ícone do bom samaritano, que liga as feridas do homem espancado, deitando nelas azeite e vinho. A nossa comunicação seja azeite perfumado pela dor e vinho bom pela alegria.
A nossa luminosidade não derive de truques ou efeitos especiais, mas de nos fazermos próximo, com amor, com ternura, de quem encontramos ferido pelo caminho. Não tenhais medo de vos fazerdes cidadãos do ambiente digital. É importante a atenção e a presença da Igreja no mundo da comunicação, para dialogar com o homem de hoje e levá-lo ao encontro com Cristo: uma Igreja companheira de estrada sabe pôr-se a caminho com todos. Neste contexto, a revolução nos meios de comunicação e de informação são um grande e apaixonante desafio que requer energias frescas e uma imaginação nova para transmitir aos outros a beleza de Deus.

FRANCISCUS
Vaticano, 24 de Janeiro – Memória de São Francisco de Sales – do ano 2014.

segunda-feira, 26 de maio de 2014